Popular Tales of Ireland (1879)

Artigo escrito por David Fitzgerald, parte da coletânea Revue Celtique Volume IV, organizada por H. Gaidoz, diretor adjunto da Escola de Estudos Superiores, professor na Escola de Ciências Políticas, secretário correspondente da Associação Galesa de Arqueologia, membro da Associação Arqueológica Real da Irlanda.

 

Texto original em inglês (download)

Geroid Iarla and Aine N' Chliar (página 185)

1. "Este lago, como toda Munster sabe, é encantado; mas o feitiço passa uma vez a cada sete anos. O lago então, para quem tiver a sorte de contemplá-lo, seca; e uma árvore pode ser vista parcialmente no interior dele, coberta por um manto verde (Brat 'Uaine). Num certo dia, um sujeito corajoso estava no local no exato instante em que o feitiço se desfez, e ele cavalgou com seu cavalo em direção à árvore e arrebatou o manto que a cobria. Enquanto ele se virava para fugir, a Mulher que estava sentada, tricotando sob o pano, ao pé da árvore, gritou:

 

Desperta, desperta, maré silenciosa!

Da Terra das Mulheres Mortas, um cavaleiro cavalga,

Da minha cabeça o manto verde foi arrebatado.

 

Com suas palavras, as águas subiram e o perseguiram tão ferozmente até a margem do lago que tomaram o seu cavalo e com ele o manto verde (Brat 'Uaine). Se o manto tivesse sido levado, o encanto estaria acabado para sempre."

3. No entanto, este lago é mais conhecido como a morada de Geróid 'larla.

A algumas milhas irlandesas de Loch Guirr, no sopé da antiga colina de Cnoc-Aine, e perto da margem do pequeno rio Camôg, fica a quadra de um antigo castelo; e a uma distância não muito grande, há outro local, também na margem do rio, chamado pelos camponeses de Bonn, ou fundação, que faz parte do outro castelo. Nestes dois castelos, de acordo com a tradição do lugar, viveu há muito tempo um famoso conde de Desmond e seu filho encantado mais famoso, Geróid larla, conde Gerald.

Dizem que o conde de Desmond levava a vida de um libertino e que, caminhando certa manhã à beira do rio, viu uma bela mulher sentada perto da água, penteando seus longos cabelos após o banho. Seu manto estava atrás dela, na grama. E, sabendo que se tivesse a posse do manto a teria em seu poder, o conde avançou silenciosamente por trás da mulher e o roubou antes que ela pudesse perceber sua aproximação.

 

A bela mulher era a própria 'Aine-n'-Chli'ar; e ela disse ao conde que ele nunca teria saciado sua vontade com ela se não tivesse roubado seu manto. Disse-lhe ainda que lhe daria um filho, que ele deveria criar com todo o cuidado possível, como qualquer outro cavalheiro, sem custo para sua educação.  Um aviso, entretanto, ela deu ao amante: ele não deveria mostrar surpresa com nada, por mais estranho fosse, o que seu filho fizesse.

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